Como surgiram as perucas

Você sabia que elas já foram sinônimo de prestígio?

Por Marisa De Lucia


Embora muitas vezes vista com preconceito nos dias de hoje, a peruca na antiguidade já foi sinal de status. Apesar de fazerem o maior sucesso nas festas à fantasia, onde são usadas como deboche, antigamente elas eram sinônimo de elegância e de prestígio.

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Desde o Egito Antigo até o seu auge nos séculos XVI e XVII, a profissão de peruqueiro tinha uma excelente reputação. Muitas perucas eram confeccionadas com crina de cavalo e de bode, devido ao alto valor e a escassez dos fios naturais para sua confecção. Diz-se que o rei francês Luis XV tinha a seu dispor 40 peruqueiros. Foi durante seu reinado que a peruca ganhou um laço de fita de seda na altura da nuca.

Mas por que elas foram criadas? Qual a sua utilidade? As perucas surgiram por necessidade de se proteger do frio e por questões higiênicas. Os egípcios eram especialistas em fazer cabelos falsos, tanto para homens quanto para mulheres. Assim como os turbantes, as perucas deixavam a cabeça fresca, protegendo-a do sol.

Para poder usar perucas, os cabelos deveriam ser curtos ou raspados. Geralmente, o topo era feito de cabelos encaracolados, e as laterais, de um conjunto de plantas. E, o mais curioso, é que aqueles que não podiam pagar por um cabelo de verdade, utilizavam lã!

Na Roma antiga, a peruca ficou famosa principalmente entre as mulheres, pois era o jeito mais fácil de tornar-se loira, algo bastante desejável numa terra onde só havia morenas. Depois disso, não há registros de uso de perucas até o final do século XVI.

Nesse período, a peruca era o orgulho do homem, e um cavalheiro distinto não poderia aparecer em público sem estar usando uma. A falta dela, em algumas classes sociais, era considerada até ofensiva.

Nos Estados Unidos, em 1675, o preço das perucas era tão caro, que isso gerou uma onda de ladrões de peruca. Em 1700, elas passaram a adornar também as cabeças de serventes, militares e comerciantes. Eles podiam escolher entre vários estilos, comprimentos, enrolados ou rabo-de-cavalo. E continuaram sendo usadas até os dias de hoje.

Em 2007, lorde Phillips of Worth Matravers disse que as perucas, usadas por profissionais britânicos da área jurídica desde o século XVII, não seriam mais necessárias em casos civis ou de família, mas apenas em tribunais criminais. Para se ter uma idéia, uma peruca para uso em tribunais chega a custar mais de US$ 3 mil, hoje algo em torno de R$ 6 mil.

Hoje, a peruca é um dos recursos mais utilizados para quem está sob tratamento de câncer. Fabricadas por diversas empresas, existem as naturais, as sintéticas e até as antialérgicas, de todos os comprimentos e diversas cores.