Reduzir calorias contribui para a memória

Evitando o Mal de Alzheimer

Por Marisa De Lucia


Um estudo realizado por cientistas da Universidade de Münster, na Alemanha, verificou que uma dieta com menos calorias resultou na melhoria da memória. O trabalho foi feito em 50 pessoas com idade média de 60 anos e confirmou resultados de testes anteriores feitos em animais.

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Os participantes foram divididos em três grupos, que foram acompanhados por três meses. O primeiro teve a ingestão de calorias reduzida em 30%; o segundo teve aumentado o consumo de ácidos graxos insaturados em 20% e o terceiro grupo não teve alteração no padrão alimentar anterior.

Nos experimentos feitos com ratos, os pesquisadores haviam identificado melhoria na memória dos animais que passaram por restrição calórica e também nos que aumentaram o consumo de ácidos graxos insaturados, encontrados em azeite e peixes.

Já neste estudo, feito com humanos, apenas o grupo de dieta com restrição calórica apresentou um aumento nas notas dos testes de memória dados pelos pesquisadores. Os demais grupos não apresentaram nenhuma alteração.

O impacto econômico do Mal de Alzheimer sobre a sociedade é considerável. Dados estatísticos demonstram que nos EUA, em 1986 foram gastos de 25 a 40 bilhões de dólares.

Cerca de 4 milhões e 500 mil de americanos, atualmente, são portadores desse mal, que é responsável por 100.000 óbitos por ano sendo a quarta causa de morte em adultos. Estima-se que no ano 2040, 12 a 14 milhões de americanos serão portadores de Alzheimer.

O número de pacientes no Brasil é estimado em 1 milhão e 200 mil e de 18 milhões no mundo. Em função do envelhecimento mundial global esse número aumentará dramaticamente e, em 2025, serão 34 milhões de portadores sendo 2/3 em países em desenvolvimento.

Mal de Alzheimer atinge 6% das pessoas com mais de 60

Pessoas estressadas têm uma tendência maior de desenvolver a patologia

Por Por Marisa De Lucia


Quem de nós nunca se preocupou com a aparência física? Fazemos qualquer esforço para chegarmos aos 60 mantendo a beleza física, mas nos esquecemos de que se nossa mente não estiver bem, todos os cuidados com a beleza exterior vão por água abaixo, não é mesmo?

No Brasil, 6% das 15 milhões de pessoas com mais de 60 anos de idade sofrem do Mal de Alzheimer, doença neurodegenerativa que provoca o declínio das funções intelectuais, reduzindo as capacidades de trabalho e social e interferindo na personalidade e no comportamento.

 

Prof. Cassio Rodrigues, pesquisador do assunto

Embora, a princípio, os primeiros sintomas da patologia geralmente aparecem a partir dos 60 anos de idade, pesquisas revelam cada vez com mais frequência relatos de pacientes na literatura nas faixas etárias de 40 a 50 anos e de 50 a 60 anos.

No início da doença, o paciente começa a perder sua memória mais recente lembrando-se com precisão acontecimentos de anos atrás e esquecendo que acabou de realizar uma refeição. Com a evolução do quadro, sua capacidade de compreensão e linguagem é afetada. A pessoa fica cada vez mais dependente da ajuda dos outros, até para alimentação e higiene pessoal.

O pesquisador e professor adjunto da UNIBAN – Universidade Bandeirante de São Paulo, Cassio Rodrigues, PhD em Neuropsicologia Cognitiva pela Ruhr-Universität Bochum, Alemanha, realizou um projeto que versa sobre a investigação psicolinguística do processamento da linguagem em pacientes portadores da demência do tipo Alzheimer (DTA).

O professor comenta que somente uma pequena parcela da população tem acesso a um tratamento adequado para a demência do tipo Alzheimer. “Infelizmente, o poder público tem falhado no enfrentamento da doença e somente a implantação de uma política pública de saúde para diversas patologias relacionadas ao envelhecimento pode reverter esse quadro”, diz ele.

Quanto aos cuidados para evitar o Alzheimer, hábitos como prática de esportes e alimentação saudáveis, bem como uma vida intelectualmente ativa com leitura de livros e participação em atividades culturais, estão estreitamente correlacionados com uma saúde mental satisfatória.

Outra hipótese recentemente levantada é que pessoas que vivem intensamente sob fatores de estresse têm uma tendência maior de desenvolver a patologia. Isso se explica pelo fato da liberação excessiva de uma substância denominada cortisol, que tem sido identificada em exames histopatológicos de pacientes que faleceram da doença. O professor frisa, no entanto, que se trata de uma hipótese que vem ganhando adeptos recentemente.